13/10/2010

Por que resolvi entrar na campanha

Desde 1989 tenho acompanhado as disputas políticas de forma bastante ativa. Naquela época, tinha apenas oito anos. Mas via meu pai empolgado com a possibilidade de ver um operário, igual a ele, na Presidência da República.

Acompanhei os demais pleitos eleitorais e já vi de tudo. Entrei no movimento social. Passei a viajar boa parte da Bahia e alguns outros estados dabetendo sobre política, participação e comunicação. Muitas dessas visitas eu fiz a convite de pastorais sociais e gestões públicas de vários partidos.

Em 2002 entrei com toda vontade na campanha vitoriosa do Presidente Lula. Ao terminar a disputa, ainda na noite da eleição, cheguei em casa sem muita empolgação. De imediato, todos me perguntaram o motivo daquele comportamento, já que tinha ajudado a eleger Lula com tanta dedicação. Minha resposta foi: eu acho que agora vai ficar mais complicado.
Não me referia ao desempenho do governo, mas às reações daqueles que passaram 500 anos comandando, se apropriando e consumindo toda a riqueza do país e como o governo eleito se comportaria diante do novo contexto. Minha preocupação estava correta: a reação dos derrotados foi a mais conservadora possível e o comportamento do novo governo pendeu para a negociação das mais variadas alianças.
Diante dessa realidade, na eleição seguinte já não tinha muito ânimo para me envolver de corpo e alma. Sobrou apenas um fator de animação: a necessidade de derrotar o carlismo na Bahia. Assim, participei e mais uma vez fomos vitoriosos. Lula foi reeleito e Wagner derrotou o DEM na Bahia – a maior surpresa das eleições naquele ano de 2006.
As decepções nacionais se repetiram aqui no estado da Bahia. O novo governo resolveu seguir a receita nacional e também negociou várias alianças. Logo, nessa eleição, nem sequer um adesivo eu conseguia por na roupa, até que um movimento político começou a chamar minha atenção.
Tratava-se da intromissão de líderes cristãos nos rumos da disputa, junto a mais uma campanha midiática reacionária. E eis que Deus disse: refaça-se o golpe de 1989! Naquela oportunidade, a possibilidade do PT ganhar a primeira eleição direta à Presidência fez com que partidos, latifundiários, banqueiros, multinacionais e a grande mídia iniciaram uma campanha contra Lula.

Junto a setores conservadores da Igreja Católica e diversas denominações evangélicas começaram a espalhar boatos segundo os quais Lula era contra todos os valores da fé cristã, que iria fechar igrejas, etc,etc,etc. E Lula perdeu a eleição para um candidato desconhecido de Alagoas. O golpe foi executado sob a sombra da democracia.
Por isso resolvi entrar nessa campanha: para evitar que mais uma vez a ignorância geral seja a fórmula com a qual padres, pastores e a elite econômica tomem para si a decisão que deveria ser soberanamente construída pelo povo.

Eu sonho com um país livre. E a liberdade se constrói com a sabedoria. A sabedoria é a luz. A caverna é a sombra. A sombra nessas eleições tem sido construída por padres, bispos e pastores que mentem e omitem em nome de Deus.

Eu sonho com um país livre! E você?

Um comentário:

Débora Bacellar disse...

Não agravo a responsabilidade dos boatos a todos os líderes cristãos, mas concordo que todas as calúnias em relação a candidata do PT à presidência da República está cada vez mais evidente.
Eu não culpo a instituição cristã como um todo, embora algumas ramificações da mesma seja realmente "culpada" por levar as informações não averiguadas adiante. Também acredito que a maior responsabilidade é de quem ouve a informação e não procura averiguar a veracidade da mesma.

Amei o seu post Leo! Saudades Imensas!
Super abraços de sua ex-aluna

Débora Bacellar