21/09/2007

Amado

Desconheço os porquês
Mas, aqui no Abaeté,
De longe, veio-me perto
Colossal lembrança de você

Nesta doce e parca vida
De porquês e poréns
Lembrar apenas me faz bem
Pouco importando explicativas
Inexistindo adversativas

Somente aditivas satisfazem
E delas tenho avidez
Que adicionem à minha vida
Como o fez em pensamento
O prazer de a qualquer momento
Pensar, olhar e viver você
Para que sempre lado a lado
Não precise transformar-me em Jorge
Mas, uma vez possuído,
Sinta o sabor de ser amado.

Leo Vilas Verde - Abaeté - Salvador - Bahia (2006)
Foto: Ponta do Humaitá - Boa Viagem - Salvador - Bahia

18/09/2007

Cruz Caída


E eu aqui
Bem mais próximo da abóbada
Contemplo ambiente, imagem e paisagem
Que, decerto, agraderia
Caeiros, Campos e Reis

O grande astro deita-se
E evoca ao repouso
Tanto as aves
Quanto as embarcações

Só a cruz é caída
De resto, tudo soa,
Contrário ao grande astro,
Elevar-se.

Mas sua calda
Deixa-nos a trilha
Que leva acompanhantes e solitários
A um orgasmo
Que é particular por ser coletivo
Mas não é coletivo por ser particular.
Leo Vilas Verde - Centro Histórico de Salvador - 07 de julho de 2006.
Foto: Pôr-do-sol na Baía de Todos os Santos