01/04/2009

O que está errado???

“Superfantasticamente, a polícia atrás da gente com a arma na mão. Sempre nessa brincadeira me chamam pra fazer o papel de ladrão. Sou feliz, com um revólver apontado pro nariz. Também quero viajar de camburão”.

Desde a semana passada quando recebi um e-mail cujo conteúdo era um texto de Luiz Lasserre (editor de Segurança do Jornal A Tarde) tratando das mortes por violência da juventude da Cidade de Salvador venho dedicando momentos de minha vida para refletir sobra a questão. Inclusive, na última sexta-feira levei esse debate para os jovens com os quais trabalho no Projeto Agentes de Comunicação para o Desenvolvimento, realizado pela Cipó Comunicação Interativa no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Até então, estava no lugar de fala daqueles que refletem, analisam e, de certa forma, procuram soluções para o problema. Entretanto, eis que me vejo imerso nele.

Na noite do último dia 31 de março, estava eu com um amigo em Fazenda Coutos conversando sobre coisas que compartilhamos na vida quando recebi uma ligação no celular. O interlocutor do outro lado era meu pai, com uma voz quase desesperadora tentando me dizer, entre outras coisas, que meu irmão fora ameaçado com uma arma de fogo apontada para sua cabeça.

No momento, minha reação foi a mesma de sempre: perguntar por detalhes do ocorrido e tentar tranqüilizar a situação. Mas, daí em diante não consegui escutar uma palavra sequer do que meu amigo falava. Entrei em estado de total anestesia por muitos minutos. De repente me perguntava sobre o que estava acontecendo: eu, altas horas da noite em Fazenda Coutos – considerado um dos bairros mais perigosos de Salvador - vendo aqueles jovens consumindo suas drogas sem me dizer qualquer coisa via o problema da violência bem próximo.

O fato tinha ocorrido em Plataforma, bairro em que nasci e que até hoje vivo. O algoz é o, infelizmente, irmão de minha mãe: policial militar aposentado. A vítima, meu irmão, por conseguinte, sobrinho do algoz. O motivo: não declarado.

Perguntava-me, então, onde reside o problema? Na cultura da violência que toma nossos lares todos os dias por volta das doze horas, patrocinada por programas de televisão? Na esculhambação que é o processo jurídico nesse país? Na estrutura corrompida que é nosso aparato policial desde sua base até o seu alto comando? No tráfico de drogas que invade todos os bairros, mas que mantém refém apenas as regiões mais pobres da cidade? Na letargia que tomou grande parte da sociedade que assiste inerte a tantas barbaridades? Nos defensores dos Direitos Humanos que se vêem coagidos diante da grande campanha contra eles que é realizada por setores da imprensa?

Por um momento, senti raiva. Lembrei-me então das inúmeras vezes em que, palestrando sobre os Direitos Humanos, escutei a célebre frase: você diz isso porque nunca aconteceu com você nem com alguém de sua família. Pois é, agora aconteceu comigo e com minha família. E eu senti raiva. Sentindo raiva, também me senti fraco. Mas, agora eu sei que não perdi essa luta e me vejo reconhecido e revigorado nela. Reencontrei minha identidade:

Eu sou Leo Vilas Verde, defensor incondicional dos Direitos Humanos, com absoluta prioridade para os Direitos Humanos de Crianças Adolescentes e Jovens e com especial atenção para os Direitos Humanos da população negra e daqueles que sofrem pelo preconceito: pessoas com deficiência, mulheres, gays e praticantes das religiões de origem africana.

02/05/2008

Preço X Consequência


Voto tem preço? Há pessoas que acreditam que sim e dão seu preço. Outras nem analisam o preço, mas vendem assim mesmo. Porém, o real é que voto não tem preço. O que o voto tem mesmo é conseqüência! Onde está a conseqüência do nosso voto? Nas políticas públicas econômicas e sociais, no modelo de desenvolvimento do país, no salário mínimo, na segurança pública, no saneamento básico, na saúde, na educação e em tantas outras ações.
Mas, se meu voto for consciente, basta para ter conseqüências boas? Não! Apenas o voto não é o bastante para garantir um governo justo. A construção de uma sociedade mais justa necessita de uma participação mais ativa da população. Uma participação que vá além do voto, além do período das eleições. O voto é só uma das etapas. Mas o monitoramento dos mandatos e da gestão pública é essencial para dizermos aos eleitos o que queremos que seja feito e para avaliar se isso está sendo feito.
O que fazer para votar com consciência? Analise as opções de candidatos e partidos que se apresentam pedindo o seu voto. Procure saber a história e o programa do partido; quem o compõe; que idéias e ideais defende. Também procure, entre os vários candidatos, qual deles está mais próximo das prioridades que você defende, se sua história tem sido de defesa dos pobres ou dos ricos, da igualdade de todos ou dos privilégios de poucos. E o que é fundamental: tente saber quem financia sua campanha. Isso pode te dar pistas importantes para desconfiar de que lado esse partido ou candidato está.
E depois, o que eu faço para potencializar o meu voto? Acompanha o mandato dos eleitos. Certifique-se de que eles estão fazendo o que prometeram. Veja se o que eles estão fazendo corresponde ao que você acredita ser o necessário. Se não for, tente mudar esse quadro. Como? Junte-se a outros insatisfeitos e comece a se fazer ouvir. Acompanhe as sessões legislativas na Câmara, Assembléia ou Congresso Nacional. Faça abaixo assinado e entregue às autoridades responsáveis. Solicite e participe de audiências públicas. Elabore e proponha leis de iniciativa popular. Participe de conselhos temáticos ou comunitários. Realize e participe de manifestações públicas. Use a criatividade. Há muitas formas de se fazer ouvir. E não se esqueça, as eleições serão refeitas; assim como o povo botou o povo pode tirar!

A Campanha de Participação Política é uma campanha regional (Nordeste) de incentivo à participação política de adolescentes e jovens, utilizando como ponto de culminância os períodos eleitorais, tendo iniciado no ano de 2002.

Campanha de Participação Política
Voto não tem preço. Tem conseqüência!

Realização: Campanha de Participação Política – Articulação Estadual da Bahia
Apoio: Campanha Quem Não Deve Não Teme; Campanha de Combate à Corrupção Eleitoral; Articulação de Políticas Públicas – APP/Bahia
Contatos: campanhaparticipacao@gmail.com

17/12/2007

A Mosca (Conflitos II)

Nesta hora
Não haveria conflitos
Se seco só fosse
Esse vinho que de dentro
De um copo de extrato
Despejo numa das extremidades
Do aparelho digestivo
Que debilitado ainda se apresenta
Das alcoólicas investidas
Dos últimos dias santos.

Se não existisse o que pensar
Muito menos decidir
Doce se faria
Essa dose de vinho
E este subquarto
E este submundo
E esta subvida...

Mas,
Esta mosca, agora
Tomou posse de minha atenção.


Em: 26 de junho de 2007
21:20h

05/11/2007

Malhada dos Bois


Sei que em pouco tempo não terei
Nova oportunidade de estar com vocês
Mas não perderei se algum tempo depois
Houver possibilidade de ir a Malhada dos Bois
Ao menos meu pensamento é hoje livre
Para a qualquer momento lá estar
Trazer de lá boas notícias
Perseguindo os rastros da lembrança
Trazer de lá belos sorrisos
Acompanhados de gotas de saudade
Trazer de lá os seus abraços
Para que meus braços
Não precisem se sentir só
Trazer de lá a serena beleza
Para que o nó que agora aperta o coração
Transforme-se em laços
De amor e de amizade
Ou em fitas do Senhor do Bonfim
Para que eu possa desejar três vezes:
Que eu volte a Malhada dos Bois!
Que eu volte a Malhada dos Bois!
Que eu volte a Malhada dos Bois!
Mas se o Senhor do Bonfim
Não me quiser tão longe:
Que a traga para mim!
Que a traga para mim!
Que a traga para mim!

Leo Vilas Verde

Em 05 de novembro de 2007

Foto: Malhada dos Bois - 02 de novembro de 2007

05/10/2007

Sem Palavras



Prometo-me que amanhã
Será um dia diferente
Terei no rosto um sorriso
Que me convença
Do coração sentirei
Uma melodia harmoniosa
E poderei perceber a paz.

Quem sabe logo ao amanhecer
Deixe escapar por entre as pálpebras
Gotículas de sentimentos
E me sinta de alma lavada
Tome uma cerveja gelada
E ria de todos os doutores
Que ousaram me condenar à morte.

E reconstrua tudo que construí
Nestes anos em que muitos
Davam por certo estar morto
E sinta o sol, a lua
E as estrelas
E me convença que posso ser diferente
Mesmo que, em acordos comigo,
Não seja um homem de palavra.

Ituberá: 01 de agosto de 2004
Foto: Plataforma - Salvador - Festa dos Pescadores